quarta-feira, 22 de março de 2017

Vamos falar dessa Cultura do Desapego

Já dizia o pensador contemporâneo @chapolinoficial: "Tô enjoado de gente fria e desapegada. Gosto é de gente que diz que ama 30 vezes, gente que sente saudade, gente que demonstra que se importa."




Eu queria bem saber de onde as pessoas tiraram que ser desapegado é cool. Sabe, eu sou super a favor da libertação sexual, dos relacionamentos abertos, da poligamia (tanto quanto da monogamia), porque acredito que as pessoas encontram mesmo felicidade em todos esses tipos de relacionamentos e enfim... mas eu tenho certeza que qualquer uma das opções só funciona de verdade quando as pessoas são honestas umas com as outras. E desde que se instaurou essa cultura do desapego eu sinto que falta honestidade pra um dos lados. Vou explicar: todo mundo é super honesto na hora de falar "ah, mas não tô a fim de nada sério agora" etc, mas na hora que começa a gostar mesmo e começa a querer um relacionamento sério, começa a se importar, sentir saudades... aí não fala! Parece que as pessoas têm medo demais de serem rejeitadas, de sofrer, de... sei lá. E elas acabam se privando de muitas coisas boas.

SE AMEM MAIS E EXPRESSEM ESSE AMOR, TODO MUNDO GOSTA DE SE SENTIR AMADO <3



(Vou dar um exemplo pessoal bem sucedido nesse aspecto: uma vez eu tava muito a fim de voltar a ficar com um cara que eu já tinha ficado algumas vezes, aí eu simplesmente virei pra ele e disse "queria muito voltar a ficar com você". Aí ele disse "eu também". E voltamos a ficar e ficamos por bastante tempo e foi bem gostosinho. Se eu quisesse bancar a desapegada e não fosse honesta isso poderia não ter acontecido.)





Fiz uma pequena lista de filmes que são contra a cultura do desapego, ou seja, histórias que não teriam acontecido se qualquer uma das partes envolvidas resolvesse ser desapegada, dar aquela fingidinha de que não se importa, de que não tá envolvido, responder as msgs 2 horas depois de propósito pra não parecer "desesperado", não postar fotinho pra pessoa não achar que você tá criando expectativas... ai, são tantas atitudes irritantes hahahah. A maioria deles vocês já devem conhecer e provavelmente gostam. E aqui tem de tudo: comédia, drama, musical, uns até mais épicos, tá valendo tudo. Então lembrem desses filminhos do amor e inspirem-se: 



Moulin Rouge | A Casa do Lago | La La Land | Mensagem Pra Você | O Paciente Inglês | Outono em Nova York | Shakespeare Apaixonado | Titanic | O Amor Não Tira Férias | Muito Bem Acompanhada | Ironias do Amor | Diário de Uma Paixão | Amor Sem Fronteiras



Esse post surgiu de várias conversas que tenho tido com amigos e amigas que, assim como eu, estão revoltados com essa ditadura do desapego. Migues, façam seus peguetes assistirem esses filminhoss hahahah




Importante: parem de achar que romances de cinema são idealizados. Esses dias concluí que até Romeu e Julieta é realista (post sobre isso em breve hahaha). Aliás, vou aproveitar pra fazer outro desabafo. Pensem bem quando forem dizer que um relacionamento "não deu certo". Porque né, quando uma amiga minha que namorou por três anos vem me dizer que não deu certo eu digo "miga, deu certo por muito tempo". DAR CERTO =/= SER PRA SEMPRE.




Beijos de luz <3

Lembrete do dia: diga pra pessoa que eu não sei quem é mas cada um sabe quem é: eu gosto de você. Talvez ela não saiba E talvez ela também goste de você. 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Vamos falar da Nova MPB


Eu não sou obrigada a ouvir "não se faz mais música como antigamente", principalmente em relação à música brasileira. 


Eu respeito quem não gosta de funk ou dos artistas pops brasileiros, a não ser que esse "não gostar" esteja em um lugar de opinião preconceituosa. Quando é o caso, acredito que a melhor forma seja conversar com essas pessoas, e tentar fazer com que elas vejam esse preconceito. Mas isso acho que é assunto pra outro post...



A questão é que eu percebi que, de forma geral, quando as pessoas dizem isso, elas sentem falta de, por exemplo, Legião Urbana, Cazuza, Cássia Eller, Rita Lee, Paralamas do Sucesso, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Elis Regina, e por aí vai... teoricamente, seria essa a música que "não se faz mais como antigamente".

Outra coisa que eu percebi é que muitos desses artistas citados acima estiveram presentes no combate à ditadura militar. Toda uma geração de artistas da música esteve voltada pra essa luta. E a geração seguinte pareceu enfrentar um certo vazio, como disse Cazuza "ideologia, eu quero uma pra viver".
Com exceção talvez de Renato Russo, que colocava questões mais politizadas em suas canções, parece que desde então, todas as cantoras de MPB que surgiram, ou as bandas de rock que se formaram, não tinham exatamente uma ideologia, ou como ouvi uma vez, suas músicas "não falam de nada". Queria destacar que isso não é necessariamente ruim. É natural (e acho que muito saudável) que as gerações se alternem nesse sentido. Isso não acontece somente na música, ou nas artes, acontece nas famílias, nas empresas, e até na política. A geração seguinte sempre tenta negar a anterior. Então se uma geração queria fazer música com um propósito, a seguinte veio pra fazer música pela música.


E é nesse ponto que eu queria chegar.



Nós estamos presenciando exatamente um momento de transição entre gerações. Essas bandas "não politizadas" não são mais interessantes para os jovens da atualidade, nós queremos mais. E por que? Porque nós queremos falar coisas! Nós temos questões importantes que queremos discutir, lutas por ideais que a gente acredita e que quase nunca foram falados. E quais questões são essas? 



Machismo, homofobia, transfobia, racismo, intolerância, retrocesso político e mais.



E onde está essa geração de artistas que luta por tudo isso? Que quer discutir essas questões que são tão importantes pra nós nesse momento?




Em cima, da esquerda pra direita: Liniker e os Caramelows, Carne Doce, As Bahias e a Cozinha Mineira, Aíla, Daniel SalveEm baixo, da esquerda pra direita: Iara Rennó, Larissa Luz, Ana Cañas, Karina Buhr, Blubell.
É só clicar no nome que você vai direto pro youtube de cada um (tem no spotify também).
E esses são só alguns! Se quiser conhecer mais, comenta aqui, eu indico mais. Ou ainda, clique em Cultura Livre e assiste os artistas que vão nesse programa, recomendo muito!


Por fim, eu queria enfatizar o título do post, porque diversas vezes presenciei a discussão de "que gênero esses artistas tocam/cantam". Eles vêm cada um de um canto do Brasil, vêm de Belém, de Goiânia, de Salvador... todos de forma independente, e chegam com o pé na porta, cada um com um estilo, mas ao mesmo tempo todos juntos, e conquistando a todos. Acho que nada mais justo do que dizer que é a Nova MPB.


A Nova Música Popular Brasileira.  

Ouçam. Beijos <3