segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Vamos falar de Wicked Brasil

Chega ao Brasil um dos musicais de maior sucesso da Broadway

WICKED
The untold story of the witches of Oz 

(A história não contada das bruxas de Oz)

Ouvi muita gente usando o "blockbuster da Broadway" como algo negativo, além das pedradas que já estamos acostumados quando se trata do gênero musical, principalmente esses de grande porte. Os metidos a "cult", que eu também gosto de chamar de alterna-trouxas, adoram dizer que não é arte, que é puro entretenimento. 

A questão é, esse musical, que tem tanta visibilidade no mundo inteiro, tem duas mulheres como protagonistas e ainda coloca em cheque o binarismo de bem e mal, certo e errado. Isso só me faz crer que o Brasil ainda não consegue reconhecer a importância dessas coisas. 

Resumindo o rolê:
O Mágico de Oz, como vocês bem devem se lembrar, constrói muito bem a personagem da Glinda, A Bruxa Boa do Norte, e da Elphaba, A Bruxa Má do Oeste. A primeira está lá para ajudar Dorothy, enquanto a segunda tenta atrapalhar. Um maniqueísmo muito claro, e muito comum em histórias infantis.
E eis que me surge um ser humano chamado Gregory Maguire e escreve Wicked: The Life and Times of the Wicked Witch of the West (A Vida e os Tempos da Bruxa Má do Oeste).
É o que chamamos de spin-off¹.
Não quero dar spoilers, mas a imagem abaixo já mostra um mínimo do que a história sugere...


E gente... É MUITO BOM.

Além de tudo isso, a história vai permeando a história d'O Mágico de Oz de uma forma muito criativa. O musical é surpreendente, as personagens são engraçadas, as músicas são muito boas. E sim, é uma mega produção de cenário, figurino, maquiagem, tudo que tem direito! E tá tudo bem.

Não tem nada melhor do que a arte contestar esses binarismos de bem-mal, homem-mulher, certo-errado... e é de extrema maestria quando faz isso e ainda se torna algo tão grande quanto Wicked, afinal, é aí que você começa a fazer alguma diferença. Estava falando algo parecido sobre o novo Star Wars outro dia².

Sendo estudante de Comunicação, eu vejo que um dos maiores desafios para nós, produtores de conteúdo, é falar de coisas importantes de uma forma que as pessoas queiram ver/assistir/ler, etc. Não é fácil. Principalmente no Brasil, a maioria dos filmes, por exemplo, ficam entre o super-cult-que-ninguém-conhece e o entretenimento-puro-que-dá-dinheiro-e-não-fala-de-nada-importante.

Então, gente. Para de preconceito com musicais, com megaproduções, com entretenimento de forma geral, e vai ver Wicked. Eu vi na Broadway, e estive na coletiva de imprensa ao lado do compositor Stephen Schwartz, que disse estar muito orgulhoso do elenco e da produção brasileira. Ou seja, um trabalho de qualidade e que passa uma mensagem muito importante. Além de, como já falei, as duas protagonistas serem mulheres. Wicked passa no teste de Bechdel sem dúvida! 

Outro ponto importante: os ingressos estão entre R$50,00 e R$280,00. Os melhores lugares da plateia costumam ser caros mesmo, muitas pessoas reclamam disso. O negócio é ficar atento às sessões populares, os ingressos são vendidos por preços bem mais acessíveis e não é difícil de conseguir. 

Estreia dia 04 de Março no Teatro Renault! Estrelando Myra Ruyz e Fabi Bang!

¹ significado de spin-off
²  releia "Vamos falar de Star Wars"

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Vamos falar de Lili Elbe

Precisamos, DESESPERADAMENTE, falar de Lili Elbe, a protagonista do filme "A Garota Dinamarquesa". Ok? Ok.

O slogan: "Encontre a coragem para ser você mesmo."

Todos devem saber mais ou menos do que se trata o filme: década de 20, uma mulher presa no corpo de um homem luta contra uma sociedade e contra si mesma para se libertar desse corpo, e ser quem ela quer ser. Não se trata de uma ficção científica, inclusive é muito, muito real e atual. O roteiro é baseado no livro homônimo, e também na vida das pintoras dinamarquesas Lili Elbe e Gerda Wegener. 

Entretanto, o filme fala de muito mais, e isso já era desde o slogan. O problema é que, sabendo quem é a Lili do filme, já adotamos um sentido para o slogan, ele fica predeterminado. Da mesma forma que predeterminamos estereótipos de homem e mulher. E assistindo é possível perceber que na verdade existem muitos sentidos pra essa frase. Ou seja, uma quebra de estereótipos e uns vários tapas na cara de todo mundo desde o slogan.

Encontre
a coragem
para ser
você mesmo.

Não se trata apenas dessa uma mulher, Lili Elbe. Se trata de todos nós. Todos somos Lili, todos temos problemas de ser quem somos às vezes, todos temos que enfrentar a sociedade, se enfrentar, se conhecer, e não é fácil. 

Não estou diminuindo a questão do movimento transsexual, muito pelo contrário! Lili teve uma importância gigantesca. Graças a ela, precursora do movimento, essas mulheres puderam se colocar, se encontrar na sociedade, buscar sua coragem de enfrentar tudo para serem quem são e serem aceitas. Ainda não chegamos ao fim do preconceito, mas estamos caminhando, e essa caminhada começou com ela. Por isso sua história é tão importante e deve ser contada. E quando nos colocamos no lugar da Lili, percebemos que todos temos um pouco dela.

Esse momento em que a história se amplia e se encaixa em diferentes contextos, diferentes pessoas, é o momento em que percebemos, mais uma vez, a importância da arte. Filmes como esse são como uma lupa, contam uma história que, não só tem um conteúdo extremamente importante, como já falamos, mas também funciona como uma espécie de alegoria, e se aplica a todos nós.

Todos precisamos encontrar a nossa coragem de sermos nós mesmo. PRECISAMOS.

Assistam, "A Garota Dinamarquesa", inspirem-se em Lili Elbe. Além da personagem já ser inspiradora (e dos atores, Eddie Redmayne e Alicia Vikander, incríveis!), o filme visualmente é uma obra de arte. Uma não, várias... todas as locações, cenários, cores, texturas, enquadramentos, são verdadeiros quadros! Lindo lindo lindo.

VAI TODO MUNDO VER.


  

Vamos falar de O Regresso

ALGUÉM DÁ LOGO UM OSCAR PARA ESSE LEONARDO DICAPRIO PELO AMOR DE DEUS.

GRATA.

ASSISTAM.