Eu não sou obrigada a ouvir "não se faz mais música como antigamente", principalmente em relação à música brasileira.
Eu respeito quem não gosta de funk ou dos artistas pops brasileiros, a não ser que esse "não gostar" esteja em um lugar de opinião preconceituosa. Quando é o caso, acredito que a melhor forma seja conversar com essas pessoas, e tentar fazer com que elas vejam esse preconceito. Mas isso acho que é assunto pra outro post...
A questão é que eu percebi que, de forma geral, quando as pessoas dizem isso, elas sentem falta de, por exemplo, Legião Urbana, Cazuza, Cássia Eller, Rita Lee, Paralamas do Sucesso, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Elis Regina, e por aí vai... teoricamente, seria essa a música que "não se faz mais como antigamente".
Outra coisa que eu percebi é que muitos desses artistas citados acima estiveram presentes no combate à ditadura militar. Toda uma geração de artistas da música esteve voltada pra essa luta. E a geração seguinte pareceu enfrentar um certo vazio, como disse Cazuza "ideologia, eu quero uma pra viver".
Com exceção talvez de Renato Russo, que colocava questões mais politizadas em suas canções, parece que desde então, todas as cantoras de MPB que surgiram, ou as bandas de rock que se formaram, não tinham exatamente uma ideologia, ou como ouvi uma vez, suas músicas "não falam de nada". Queria destacar que isso não é necessariamente ruim. É natural (e acho que muito saudável) que as gerações se alternem nesse sentido. Isso não acontece somente na música, ou nas artes, acontece nas famílias, nas empresas, e até na política. A geração seguinte sempre tenta negar a anterior. Então se uma geração queria fazer música com um propósito, a seguinte veio pra fazer música pela música.
E é nesse ponto que eu queria chegar.
Nós estamos presenciando exatamente um momento de transição entre gerações. Essas bandas "não politizadas" não são mais interessantes para os jovens da atualidade, nós queremos mais. E por que? Porque nós queremos falar coisas! Nós temos questões importantes que queremos discutir, lutas por ideais que a gente acredita e que quase nunca foram falados. E quais questões são essas?
Machismo, homofobia, transfobia, racismo, intolerância, retrocesso político e mais.
E onde está essa geração de artistas que luta por tudo isso? Que quer discutir essas questões que são tão importantes pra nós nesse momento?
Em cima, da esquerda pra direita: Liniker e os Caramelows, Carne Doce, As Bahias e a Cozinha Mineira, Aíla, Daniel Salve. Em baixo, da esquerda pra direita: Iara Rennó, Larissa Luz, Ana Cañas, Karina Buhr, Blubell.
É só clicar no nome que você vai direto pro youtube de cada um (tem no spotify também).
E esses são só alguns! Se quiser conhecer mais, comenta aqui, eu indico mais. Ou ainda, clique em Cultura Livre e assiste os artistas que vão nesse programa, recomendo muito!
Por fim, eu queria enfatizar o título do post, porque diversas vezes presenciei a discussão de "que gênero esses artistas tocam/cantam". Eles vêm cada um de um canto do Brasil, vêm de Belém, de Goiânia, de Salvador... todos de forma independente, e chegam com o pé na porta, cada um com um estilo, mas ao mesmo tempo todos juntos, e conquistando a todos. Acho que nada mais justo do que dizer que é a Nova MPB.
A Nova Música Popular Brasileira.
Ouçam. Beijos <3
