quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Vamos falar de Feminismo

Vamos falar de Feminismo.
Porque sim.
Porque é necessário.
E se reclamar falamos mais <3


E aqui no blog, claro... é o ponto te vista cultural!

É importante destacar que não vou falar somente de obras que falem de feminismo, mas também de obras em que podemos perceber a presença do feminismo na nossa cultura. Vamos nessa?


Pra começar não precisa ter medo da palavra Feminismo, não precisa ter medo de dizer "eu sou feminista". Afinal, como definiu muito bem Jacqueline Pitanguy em entrevista ao Você É Feminista E Não Sabe, "feminismo é apenas e tão somente a capacidade de identificar desigualdades, injustiças na relação entre homens e mulheres, na relação da mulher com as instituições políticas, e de lutar por elas, por um mundo melhor, mais igualitário, é isso.
Jacqueline Pitanguy é socióloga e cientista política. Você pode assistir a entrevista na íntegra no canal do youtube: youtube.com/voceefeministaenaosabe


E assim abro a sessão de indicações culturais para o tema!



O canal Você É Feminista E Não Sabe tem muitas entrevistas com diferentes feministas, cada uma sob um ponto de vista diferente: história, política, psicanálise... entre outros! Vale muito a pena! Entrei recentemente pra equipe do canal e me sentindo realizadíssima de estar fazendo parte desse projeto! 



Próximas dicas: 


LITERATURA


-- A Jacqueline Pitanguy também escreveu o livro O QUE É FEMINISMO. Li e gostei muito! É da Coleção Primeiros Passos, super curtinho e muito didático. Recomendo a todos, mas principalmente a quem quer entender melhor os primórdios do feminismo.



-- Outro livro muuito bom que estou lendo é O CÁLICE E A ESPADA, da Riane Eisler, que além de escritora é acadêmica e ativista social austríaca. A obra é de 1987 e não fala especificamente sobre o movimento feminista, mas apresenta evidências históricas de que houve, em algum lugar do passado, sociedades não patriarcais e igualitárias que aos poucos sofreram diversas mudanças e, com elas, o domínio dos homens sobre as mulheres.



-- Depois de ler esses dois livros, recomenda-se O SEGUNDO SEXO, da Simone Beauvoir. Publicado em 1949 essa sim é uma das obras mais importantes do próprio movimento feminista. Em vez de escrever uma breve sinopse, vou recomendar a entrevista da Djamila Ribeiro, que é MARAVILHOSA e explica muito bem a importância do pensamento da Simone Beauvoir: https://www.youtube.com/watch?v=WlRLzA6YxWE - também do canal Você É Feminista E Não Sabe.


-- #MEUAMIGOSECRETO, do coletivo Não Me Kahlo. A Coleção Hashtag busca estender os debates do mundo virtual, dando continuidade as discussões. Esse é o seu primeiro título e tem como objetivo a desconstrução do machismo. Através de artigos e pesquisas o livro serve de material de apoio para as pautas feministas. Ah, e o prefácio é da incrível Djamila Ribeiro <3 

-- A MÃO ESQUERDA DE VÊNUS, da Fernanda Young. Livro de poesias de uma mulher empoderadíssima, personalidade forte e, muitas vezes polêmica. O livro em si não é sobre feminismo, mas sempre que eu ouço/leio que Chico Buarque "capta a alma feminina" eu tenho vontade de jogar esse livro na cara da pessoa, hahaha (se achou essa frase polêmica aguarde o próximo post, falarei mais sobre isso). Livro muito muito bom, e a autora reforça que as mulheres não devem ter medo de se expor, no sentido de se colocar. Ela diz: “Lançar um livro de poesia é algo complicado, porque não tem personagem, não tem enredo. Representa sensações, desejos, frustrações. Sou mulher, já fui agredida, levei tapa na cara duas vezes. Recentemente abri processo contra uma pessoa no Instagram”

 
CINEMA

Muito difícil falar de todos que eu queria. Fiz a seleção da seleção da seleção aqui, e procurei falar de filmes que talvez você não tenha visto. 
 
FRIDA (2002)
de Julie Taymor

A história de uma das mulheres mais empoderadas, um dos principais nomes da arte mexicana. O filme passa por sua vida, desde o acidente, até a conturbada relação com o artista Diego Rivera. A Frida interpretada por Salma Hayek é apaixonante, na minha opinião a melhor performance da sua carreira. Frida enfrentou muitas adversidades ao longo de sua vida, superadas com muita força de vontade e luta. O filme registra a alma sofrida de Frida Kahlo ilustrada através de seus quadros e, sendo infinitamente colorido, nos faz ver que o que Frida mais tinha era uma vontade imensa de viver.  




THELMA E LOUISE (1991)
de Ridley Scott

As duas amigas que largam tudo pra ir viajar por um final de semana simplesmente por estarem cansadas da vida monótona que levam. É muito poder. Totalmente donas de si. Durante a viagem, elas se envolvem em um crime e decidem fugir para o México... e o resto só assistindo. Bom demais esse filme!






AS SUFRAGISTAS (2015)
de Sarah  Gavron

No início do século XX, mesmo depois de décadas de manifestações pacíficas, as mulheres ainda não tinham direito ao voto no Reino Unido. Assim, um grupo militante decide coordenar atos de insubordinação, chamando a atenção ao quebrar vidraças e explodir caixas de correio. Tudo pra chamar a atenção dos políticos locais. 



Ai gente, esse tema e essas três atrizes: não tinha como não ser um puta filme! 
Carey Mulligan, Meryl Streep, Helena Bonhan Carter, quero ser vocês quando eu crescer <3


Mais filmessss:
As Horas, Erin Brockovich, Tudo Sobre Minha Mãe, O Sorriso de Mona Lisa, Joy, As Virgens Suicidas, Frozen, Valente.

 
TELEVISÃO

ORANGE IS THE NEW BLACKSó mulheres maravilhosas mostrando a incrível diversidade do sexo feminino: belezas físicas diferentes, personalidades diferentes, objetivos diferentes, amizades diferentes, famílias diferentes. AMO TANTO.




HOW TO GET AWAY WITH MURDERER: Annelise Keating provavelmente a personagem mulher mais poderosa já criada pra uma série <3 <3 <3 




ORPHAN BLACKUma única atriz interpretando 8 personagens diferentes, mas todas empoderadas, com personalidades fortes, donas de si. Impossível não se apaixonar por essa atriz <3  







SCANDAL: Uma mulher por trás de toda política nos Estados Unidos? Não tenho nem o que falar. "It's handled." 






GAME OF THRONES: Apesar da ambientação medieval, nunca vi tanta mulher poderosa junta. Cada uma usa seu poder de uma forma, mas todas se impõe e lutam sem precisar de macho nenhum, beijos.






MÚSICA BRASILEIRA ATUAL

Sim, só brasileira e atual, bora fortalecer as manas do nosso país <3 

Só que música não tem resumo, só ouvindo mesmo pra entender o quão maravilhosas essas mulheres são. É só clicar no nome:



KARINA BUHR 




CARNE DOCE




AÍLA




AS BAHIAS E A COZINHA MINEIRA







Ufa... muita informação! Muita coisa boa pra você conhecer, espero que goste <3

Depois me diga o que você achou, caso vá atrás de alguma das dicas, ou caso tenha outras dicas pra compartilhar, deixe seu comentário :) 

Até o próximo post! 


segunda-feira, 11 de abril de 2016

Vamos falar de "Na Selva das Cidades"

Fui assistir a uma peça durante a qual sujei minha mão de farinha involuntariamente e quase perdi minha rasteirinha duas vezes. Sem falar que em determinado momento simplesmente amanhece no Galpão do Sesc Pompéia. Sim.

Uma recriação de "Na Selva das Cidades", de Bertolt Brecht, pela mundana companhia e pela diretora Cibele Forjaz.


Rapidamente, quem foi Bertolt Brecth?
Dramaturgo, poeta e encenador alemão que teve muita influência no teatro contemporâneo, e também desenvolveu o "teatro épico". Sua obra artística, de forma geral, critica o a forma como as relações humanas se estabelecem no sistema capitalista.  

Voltando à peça que assisti.
Texto fortísssimo sobre a ambição e o contraste social no ambiente urbano, e que nesta montagem foi trazido para nossa atualidade com pontuações certeiras sobre os debates políticos. Livre movimentação do público no espaço. Muito estímulo, muita informação, a plasticidade sonora é de arrepiar, iluminação impactante e atores totalmente entregues! Daqueles espetáculos que você poderia ficar horas comentando com quem assistiu com você, e trocando figurinha do que cada um percebeu em determinados momentos.
Vontade de ver mais duas vezes pra ter certeza de que captamos tudo.

E MAIS. A produção desenvolveu um sistema que disponibiliza um wifi no local e envia conteúdo em tempo real para os espectadores através do site http://intra.selva 
Vídeos, fotos gifs... muito legal!

Muito inovador, alternativo, e de alta qualidade!
Assistam!


"Na Selva das Cidades - Em Obras"
SESC POMPÉIA
Rua Clélia, 93
De 01/04 até 15/05
Sexta: 20h
Sábado: 20h
Domingo: 18h
Ingressos entre R$12 e R$40

sábado, 26 de março de 2016

Vamos falar de Black Mirror

Em uma palavra, Black Mirror é assustador.

Se vocês ficam tensos com Supernatural, American Horror Story, The Walking Dead, etc, assistam essa série. Afinal, só uma coisa pode dar mais medo do que o sobrenatural: a própria realidade. É assustador ver para onde a nossa sociedade está caminhando. Parece inaceitável pensar nas situações que a série propõe, mas depois você percebe o quanto já estamos perto disso. ISSO é terror pra mim. 

Só o título já é genial.
Não é uma série que se refere somente às telas pretas através das quais estamos vivendo atualmente (celular, tablet, televisão, computador...), mas é também uma série que reflete esse lado negro para o qual a sociedade está caminhando. Quem assistiu Her e gostou, com certeza vai pirar nessa série. Eu adorei a reflexão que o filme propõe, já é um "espelho negro", mas Black Mirror vai mais além. Muito mais. 

A série também tem uma estrutura toda própria: Por enquanto são duas temporadas, cada uma com apenas três episódios que variam entre 40 minutos e 1 hora; depois teve um especial; e a terceira temporada com 12 episódios já foi confirmada. 
Cada episódio é uma situação nova, uma reflexão nova, novas personagens. E, felizmente, não é o tipo de série que se faz maratona, porque cada episódio é um belo de um soco no estômago. Eu não consegui assistir sem que tivesse pelo menos um dia de distância entre os episódios. São pesadíssimos. E não em termos de violência, sexo, nem nada, é tudo muito psicológico, é essa percepção desesperadora de que a gente tá chegando nisso aí. E ao mesmo tempo que a série me dá vontade de chorar, vomitar, gritar, me matar... eu quero abraçar o Charlie Brooker, criador da série (moço, por onde você andava? Hahaha), porque eu acredito que se as pessoas começassem a refletir sobre o que a série propõe, talvez a gente ainda tivesse tempo de reverter essa situação monstruosa. POR FAVOR VAMOS REVERTER ESSA SITUAÇÃO MONSTRUOSA.

São colocadas situações extremas tratando de privacidade/reality shows, vigilância/panóptico, espectadores passivos, espetacularização (S02E02 é meio Show de Truman), justiça/vingança, desumanização, realidade virtual, vida através das telas, memória, morte, política, voyeurismo, até o tal do "bloqueio", uma característica do mundo virtual, levada ao mundo material. E é tudo muito assustador de considerar já tão próximo da gente. 

Obrigada Black Mirror, por me fazer continuar acreditando que a arte e a cultura são instrumentos de contestação da realidade, de incentivo a discussões importantes. E que é possível fazer isso com conteúdo de qualidade, e de amplo acesso (disponível no Netflix).

VAI TODO MUNDO VER AGORA.  

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Vamos falar de Wicked Brasil

Chega ao Brasil um dos musicais de maior sucesso da Broadway

WICKED
The untold story of the witches of Oz 

(A história não contada das bruxas de Oz)

Ouvi muita gente usando o "blockbuster da Broadway" como algo negativo, além das pedradas que já estamos acostumados quando se trata do gênero musical, principalmente esses de grande porte. Os metidos a "cult", que eu também gosto de chamar de alterna-trouxas, adoram dizer que não é arte, que é puro entretenimento. 

A questão é, esse musical, que tem tanta visibilidade no mundo inteiro, tem duas mulheres como protagonistas e ainda coloca em cheque o binarismo de bem e mal, certo e errado. Isso só me faz crer que o Brasil ainda não consegue reconhecer a importância dessas coisas. 

Resumindo o rolê:
O Mágico de Oz, como vocês bem devem se lembrar, constrói muito bem a personagem da Glinda, A Bruxa Boa do Norte, e da Elphaba, A Bruxa Má do Oeste. A primeira está lá para ajudar Dorothy, enquanto a segunda tenta atrapalhar. Um maniqueísmo muito claro, e muito comum em histórias infantis.
E eis que me surge um ser humano chamado Gregory Maguire e escreve Wicked: The Life and Times of the Wicked Witch of the West (A Vida e os Tempos da Bruxa Má do Oeste).
É o que chamamos de spin-off¹.
Não quero dar spoilers, mas a imagem abaixo já mostra um mínimo do que a história sugere...


E gente... É MUITO BOM.

Além de tudo isso, a história vai permeando a história d'O Mágico de Oz de uma forma muito criativa. O musical é surpreendente, as personagens são engraçadas, as músicas são muito boas. E sim, é uma mega produção de cenário, figurino, maquiagem, tudo que tem direito! E tá tudo bem.

Não tem nada melhor do que a arte contestar esses binarismos de bem-mal, homem-mulher, certo-errado... e é de extrema maestria quando faz isso e ainda se torna algo tão grande quanto Wicked, afinal, é aí que você começa a fazer alguma diferença. Estava falando algo parecido sobre o novo Star Wars outro dia².

Sendo estudante de Comunicação, eu vejo que um dos maiores desafios para nós, produtores de conteúdo, é falar de coisas importantes de uma forma que as pessoas queiram ver/assistir/ler, etc. Não é fácil. Principalmente no Brasil, a maioria dos filmes, por exemplo, ficam entre o super-cult-que-ninguém-conhece e o entretenimento-puro-que-dá-dinheiro-e-não-fala-de-nada-importante.

Então, gente. Para de preconceito com musicais, com megaproduções, com entretenimento de forma geral, e vai ver Wicked. Eu vi na Broadway, e estive na coletiva de imprensa ao lado do compositor Stephen Schwartz, que disse estar muito orgulhoso do elenco e da produção brasileira. Ou seja, um trabalho de qualidade e que passa uma mensagem muito importante. Além de, como já falei, as duas protagonistas serem mulheres. Wicked passa no teste de Bechdel sem dúvida! 

Outro ponto importante: os ingressos estão entre R$50,00 e R$280,00. Os melhores lugares da plateia costumam ser caros mesmo, muitas pessoas reclamam disso. O negócio é ficar atento às sessões populares, os ingressos são vendidos por preços bem mais acessíveis e não é difícil de conseguir. 

Estreia dia 04 de Março no Teatro Renault! Estrelando Myra Ruyz e Fabi Bang!

¹ significado de spin-off
²  releia "Vamos falar de Star Wars"

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Vamos falar de Lili Elbe

Precisamos, DESESPERADAMENTE, falar de Lili Elbe, a protagonista do filme "A Garota Dinamarquesa". Ok? Ok.

O slogan: "Encontre a coragem para ser você mesmo."

Todos devem saber mais ou menos do que se trata o filme: década de 20, uma mulher presa no corpo de um homem luta contra uma sociedade e contra si mesma para se libertar desse corpo, e ser quem ela quer ser. Não se trata de uma ficção científica, inclusive é muito, muito real e atual. O roteiro é baseado no livro homônimo, e também na vida das pintoras dinamarquesas Lili Elbe e Gerda Wegener. 

Entretanto, o filme fala de muito mais, e isso já era desde o slogan. O problema é que, sabendo quem é a Lili do filme, já adotamos um sentido para o slogan, ele fica predeterminado. Da mesma forma que predeterminamos estereótipos de homem e mulher. E assistindo é possível perceber que na verdade existem muitos sentidos pra essa frase. Ou seja, uma quebra de estereótipos e uns vários tapas na cara de todo mundo desde o slogan.

Encontre
a coragem
para ser
você mesmo.

Não se trata apenas dessa uma mulher, Lili Elbe. Se trata de todos nós. Todos somos Lili, todos temos problemas de ser quem somos às vezes, todos temos que enfrentar a sociedade, se enfrentar, se conhecer, e não é fácil. 

Não estou diminuindo a questão do movimento transsexual, muito pelo contrário! Lili teve uma importância gigantesca. Graças a ela, precursora do movimento, essas mulheres puderam se colocar, se encontrar na sociedade, buscar sua coragem de enfrentar tudo para serem quem são e serem aceitas. Ainda não chegamos ao fim do preconceito, mas estamos caminhando, e essa caminhada começou com ela. Por isso sua história é tão importante e deve ser contada. E quando nos colocamos no lugar da Lili, percebemos que todos temos um pouco dela.

Esse momento em que a história se amplia e se encaixa em diferentes contextos, diferentes pessoas, é o momento em que percebemos, mais uma vez, a importância da arte. Filmes como esse são como uma lupa, contam uma história que, não só tem um conteúdo extremamente importante, como já falamos, mas também funciona como uma espécie de alegoria, e se aplica a todos nós.

Todos precisamos encontrar a nossa coragem de sermos nós mesmo. PRECISAMOS.

Assistam, "A Garota Dinamarquesa", inspirem-se em Lili Elbe. Além da personagem já ser inspiradora (e dos atores, Eddie Redmayne e Alicia Vikander, incríveis!), o filme visualmente é uma obra de arte. Uma não, várias... todas as locações, cenários, cores, texturas, enquadramentos, são verdadeiros quadros! Lindo lindo lindo.

VAI TODO MUNDO VER.


  

Vamos falar de O Regresso

ALGUÉM DÁ LOGO UM OSCAR PARA ESSE LEONARDO DICAPRIO PELO AMOR DE DEUS.

GRATA.

ASSISTAM.



sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Vamos falar de relacionamentos modernos

"Era uma vez um casal de amigos que decidiu assistir à série How To Get Away With Murder juntos...

Ela - Eu sei que você não é muito de séries, mas eu queria muito começar a ver essa. E eu também sempre quis ver uma série com alguém. Quer ver comigo?
Ele - Quero!

E foi uma primeira temporada incrível para o jovem casal. Eles se divertiram muito e sempre brincavam sobre não poder assistir sem o outro, e muito menos com outra pessoa.

Um belo dia, Ele quis firmar o relacionamento:

Ele - Eu queria te falar uma coisa...
Ela - Pode falar
Ele - As coisas estão indo tão bem com a gente, que eu queria dar mais um passo...
(O coração dela bateu forte)
Ele - Quer ver a segunda temporada comigo?
Ela - Sim! Claro que sim!

Começaram a segunda temporada, o ritmo estava meio devagar, já não era mais aquele fogo. Estavam havia muito tempo sem assistir, até que...

Ela - Precisamos conversar.
Ele - O que foi?
Ela - Eu não sei bem como falar... eu te traí.
Ele - O que?!
Ela - Vi HTGAWM sem você.
Ele - Não tô acreditando nisso...
Ela - Fazia tanto tempo que a gente não via, e eu tava muito a fim de ver...
Ele - Com quem foi?
Ela - Você não conhece...
Ele - Quantos episódios?
Ela - Foi só um, eu juro... não significou nada...
Ele - Não acredito que você fez isso comigo.

E foi o fim."

Por Beatriz Belintani
(eu, no caso)
Agradecimento ao João Daniel
(que vê htgawm comigo)

.
.
.
(não tivemos traições so far)



Fonte: https://commons.wikimedia.or
/wiki/File:Couple_looking_at_tv_screen_
@_Museu_da_imagem._Braga,_2011.jpg

Acho que fala por si só, né?

sábado, 16 de janeiro de 2016

Vamos falar de #OscarsSoWhite

Precisamos falar sobre essa polêmica.

Foram anunciados nesta última quinta-feira (14) os nomeados ao prêmio Oscar desde ano. E no mesmo dia surgiu essa tag  #OscarsSoWhite no Twitter. Li muitos deles. As pessoas estavam bem irritadas e muito indignadas com as nomeações, porque entre os 20 atores nomeados (melhor ator, atriz, ator coadjuvante, atriz coadjuvante) não há nenhum negro. Depois comecei a ler alguns portais e blogs pra entender de fato o que essas pessoas estavam criticando. Estavam criticando, nitidamente, a Academia. 

Eu não vou botar minha mão no fogo e dizer que a Academia não é preconceituosa, ou defender incondicionalmente as nomeações. Entretanto, acredito que essas pessoas estão colocando a culpa no lugar errado. É a indústria cinematográfica que dá mais oportunidade para brancos do que para negros, é Hollywood, é o dia a dia do ofício; não é o grupo de pessoas que assiste tudo que foi feito e escolhe quem eles consideram melhores. Negros no cinema é uma questão de oportunidade! É aí que deve estar a crítica de todos.

Precisamos ter mais negros do cinema. Isso é nítido! Só poderemos ter grandes atores sendo reconhecidos e nomeados quando eles estiveram lá, no meio! O grande problema está nessa indústria. São os produtores, os diretores, os roteiristas. 
Então sim, #OscarsSoWhite, mas porque #CinemasSoWhite. Vamos jogar nossa crítica no colo de quem merece.

Para ilustrar, o discurso MARAVILHOSO de agradecimento de Viola Davis quando ganhou o Emmy por "How To Get Away With Murder". Porque, em suas palavras "você não pode ganhar um Emmy por papéis que não existem."




Viola Davis e Shonda Rhimes atualmente são as mulheres que mais admiro, junto com Kerry Washington. São mulheres como elas que vão mudar o mundo.
Por mais oportunidades para negros no Cinema! 



terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Vamos falar de Spotlight

spot·light
ˈspätˌlīt/
A strong beam of light that illuminates only a small area, used especially to center attention on a stage performer.
(Um forte raio de luz que ilumina apenas uma pequena área, usado especialmente para centrar a atenção em um artista de palco.)

Ou, simplesmente, holofote.

O filme "Spotlight" atualmente nos cinemas combina um ritmo de tensão investigativa com uma temática bastante séria: o abuso sexual de inúmeras crianças por padres da igreja católica. Baseado em uma história real sobre um grupo de jornalistas que decide fazer essa investigação. 
Entretanto, o que pega mesmo, o que te deixa mais ligado na história são as questões colocadas em relação à prática do jornalismo. A "Spotlight" quer derrubar um sistema horrível que tem tudo para, na verdade, consumir o jornalismo e torná-lo parte dele. Não é uma tarefa fácil, e a todo momento a moral e a ética desse grupo é contestada e colocada à prova.
Se eles vão conseguir? Você vai ter que assistir pra descobrir...

A grande questão é de fato colocar o que importa no "holofote". O objetivo da Spotlight era colocar essa discussão dos abusos no foco. Já o filme coloca o jornalismo no seu holofote. A moral, a ética, o papel do jornalismo, sua importância, sua subversão, seus deveres, e até suas mudanças, pois o filme também coloca a questão da era digital e de como o jornalismo reage a isso.
Atualmente a internet nos possibilita acesso a muitas informações, e a grande maioria delas não é apurada, o que faz com que uma investigação jornalística como essa do filme pareça uma coisa bem distante da realidade que vivemos. Tudo tem que ser falado, postado e comentado na hora que acontece... e depois de algumas horas (dias, na melhor das hipóteses) já era. Todo mundo já esqueceu.

Esse cenário faz do jornalismo uma coisa tão homogênea que já não parece possível um "holofote", um spotlight que faça com que o mundo se vire pra alguma coisa e faça algo a respeito, mude algo de fato. Parece que tudo tem a mesma importância, e acaba não tendo importância nenhuma. Qualquer informação é legitimada e, pior, qualquer opinião é legitimada na internet, então vira um milhão de pessoas falando qualquer coisa sem uma fundamentação adequada.
Pra não dizer que não falei das flores, acho que o atentado de Paris teve seu holofote, que por sua vez foi bem próximo do holofote do desastre ambiental em Mariana. Entretanto, apesar da comoção (também importante para mover as pessoas), os textos que li pouco falavam do que importava. Muito provavelmente as pessoas leram uma manchete ou duas e já saíram falando, sem ler nada a respeito, sem fundamento, sem discussões importantes.

Vamos falar da importância de um bom jornalismo.
Vamos falar dos spotlights que não estão sendo feitos.


 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Vamos falar de Macbeth

"[A vida] é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, sem sentido algum."

Gente... Precisamos falar sobre issoo!

Essa frase é da tragédia Macbeth escrita pelo dramaturgo inglês William Shakespeare entre 1603 e 1607. A peça amaldiçoada que, "supersticiosamente" falando, não se pode nem dizer o nome em voz alta (tipo Voldemort, do Harry Potter), e sua encenação traz má sorte.
Para os que não conhecem, vamos dar um panorama beeeem geral:
Macbeth é general do exército do rei Duncan, na Escócia e recebe a visita de três bruxas (ou moiras) que trazem profecias. Uma delas diz que ele em breve será rei da Escócia. Ele então escreve à esposa, Lady Macbeth ("a encarnação da escrota" como me disse um professor de Filosofia uma vez, e também meu papel dos sonhos), e ela, com sede de poder, bola um plano para assassinar o rei Duncan. E assim Macbeth o faz, porém fica completamente perturbado. Lady Macbeth em muitos momentos é obrigada a tomar as rédeas da situação. 
Basicamente, os dois enlouquecem.
(Gente, não existe spoiler quando se trata de clássicos, é conhecimento prévio de mundo, beijos.)

Bem, voltando a frase... quando penso no "idiota" a que Macbeth se refere como sendo o autor da vida eu imagino um ser totalmente irracional, impulsivo, que não possui lógica nenhuma e que fica correndo de um lado pro outro escrevendo o que vai acontecer de forma totalmente aleatória.
E essa pra mim é uma ilustração perfeita da própria vida.
As religiões e outras crenças que me perdoem, mas tem cada coisa que acontece que não encontramos sentido. Não importa o quanto a gente evolua na medicina, não podemos evitar a morte; não importa o quanto a gente se aprofunde em filosofia, nem sequer entendemos a morte, ou porque estamos aqui, ou quem somos nós; não importa todo o desenvolvimento tecnológico que nos enrijece, nos afasta das pessoas, a gente ainda precisa delas, e ainda temos sentimentos que não conseguimos entender nem explicar... Nada faz sentido! Milhões e milhões de anos no mundo e ainda não sabemos nada.

Apesar da tragédia Macbeth ser do século XVII, essa é uma discussão totalmente moderna, por isso Shakespeare é tão genial. Até hoje nos questionamos sobre tudo.
É uma peça em que tudo acontece por causa de profecias e ao mesmo mesmo tempo questiona justamente as noções de destino. A velha pergunta: será que Macbeth e Lady Macbeth teriam feito o que fizeram se não soubessem da profecia? Ou, será que eles teriam feito tudo isso se soubessem o que viria depois? 

Isso tudo, porque na última segunda-feira fui assistir a versão de Macbeth que fizeram para o cinema com Michael Fassbender e a Marion Cotillard (amo demais), dirigida por Justin Kurzel. Achei uma boa versão, foi inclusive selecionado para concorrer ao prêmio Palma de Ouro em Cannes. Eu gostei de como o diretor colocou o visual como primeira importância, o filme é super bonito, com cores e locações lindíssimas. E ao mesmo tempo ele se manteve fiel ao texto, a linguagem arcaica e forte. E os atores estão no ponto certo, muito bons. Marion Cotillard não só não tem sotaque francês como encarnou um sotaque escocês inacreditável. 

Recomendo a todos que LEIAM Macbeth, tem muito mais do que eu escrevi aqui, vale muito a pena. E se quiserem assistir uma versão audiovisual, essa é boa.
E fica a reflexão sobre o "idiota".
Aliás... será que não somos nós mesmos esse idiota escrevendo essa história sem sentido?


Para encerrar: SENTE-SE, de Bertolt Brecht
(créditos ao Marcos Madalena que me apresentou)


Sente-se.
Está sentado?
Encoste-se tranquilamente na cadeira.
Deve sentir-se bem instalado e descontraído.
Pode fumar.
É importante que me escute com muita atenção.
Ouve-me bem?
Tenho algo a dizer-lhe que vai interessá-lo.
Você é um idiota.
Está realmente a escutar-me?
Não há pois dúvida alguma de que me ouve com clareza e distinção?
Então Repito: você é um idiota. Um idiota.
I como Isabel;
D como Dorival;
outro I como Irene;
O como Orlando;
T como Teodoro;
A como Ana.
Idiota.
Por favor não me interrompa.
Não deve interromper-me.
Você é um idiota.
Não diga nada.
Não venha com evasivas.
Você é um idiota.
Ponto final.
Aliás não sou o único a dizê-lo.
A senhora sua mãe já o diz há muito tempo.
Você é um idiota.
Pergunte pois aos seus parentes.
Se você não é um idiota...
claro, a você não lho dirão, porque você se tornaria vingativo como todos os idiotas.
Mas os que o rodeiam já há muitos dias e anos sabem que você é um idiota.
É típico que você o negue.
Isso mesmo: é típico que o Idiota negue que o é.
Oh, como se torna difícil convencer um idiota de que é um Idiota.
É francamente fatigante.
Como vê, preciso de dizer mais uma vez que você é um Idiota e no entanto não é desinteressante para você saber o que você é e no entanto é uma desvantagem para você não saber o que toda a gente sabe.
Ah sim, acha você que tem exactamente as mesmas ideias do seu parceiro.
Mas também ele é um idiota.
Faça favor, não se console a dizer que há outros Idiotas: Você é um Idiota.
De resto isso não é grave.
É assim que você consegue chegar aos 80 anos.
Em matéria de negócios é mesmo uma vantagem.
E então na política!
Não há dinheiro que o pague.
Na qualidade de Idiota você não precisa de se preocupar com mais nada.
E você é Idiota.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Vamos falar de Star Wars

Mais do que uma megaproduçãohollywoodiana, Star Wars: O Despertar da Força têm importância social e demonstra mais uma vez como arte, cultura e entretenimento deve ser instrumento de transformação e é importante para o desenvolvimento humano.
Sim, estamos falando da protagonista feminina.  

Abre parênteses: conheçam Teste de Bechdel no qual Star Wars passou. "O teste de Bechdel pergunta/questiona se uma obra de ficção possui pelo menos duas mulheres que conversam entre si sobre algo que não seja um homem." Melhor do que conhecer, tente pensar na maior quantidade possível de filmes e se pergunte se eles passariam no teste. Poucos passariam. Fecha parênteses.

Vi muitos comentários positivos sobre a heroína do filme, um dos meus favoritos é o que aparece uma foto dela e escrito junto "Fight. Like a girl." ("Lute. Como uma menina"). A personagem dá um show de personalidade, de força, de inteligência. E ISSO É IMPORTANTE. E me deixou muito feliz que tenha acontecido numa franquia desse tamanho, batendo todos os recordes de bilheteria. Ó TI MO. 

Além disso, o filme é muito bom. Muito bom. Fui na pré estreia e me envolvi demais, altas emoções. 

Ainda na nossa cultura a mulher sofre bastante preconceito, desigualdade e desrespeito, além de violência, relacionamentos abusivos, e muito, muito mais. Vocês sabiam que mesmo no cinema as mulheres ainda recebem menos do que os homens? Quando Scarlett Johansson recebeu o mesmo salário que os dois homens do filme Os Vingadores foi até notícia. Porque ainda não é comum. E muita gente não sabe!
A cultura tem que ser mais do que entretenimento, tem que ter compromisso social. 

Vamos falar das mulheres.
Vamos falar das mulheres na nossa cultura.
Vamos falar de respeito às nossas mulheres.
VAMOS FAZER UM ESCÂNDALO¹ (como disse minha amiga Jout Jout) - Aliás sou contra todos esses realities com crianças, muita exposição.

Star Wars VII, eu queria dizer *clap clap clap clap clap*



¹ Jout Jout - "Vamos fazer um escândalo" https://www.youtube.com/watch?v=0Maw7ibFhls  

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Vamos falar de Snapchat

Tempos difíceis para o teatro brasileiro...

Como se já não tivéssemos de enfrentar problemas de incentivo e valorização, atualmente também enfrentamos desrespeito. A mensagem "por favor, desliguem seus celulares" é cada vez mais ignorada pelo público. Como atores, nós nos sentimos desrespeitados ao identificar (não é difícil) indivíduos com a luz de seus celulares no rosto. E como plateia, nós também somos desrespeitados pelos mesmos sujeitos.

Identificamos um "vilão": o snapchat, que inclusive ultrapassa a questão do respeito e atinge o ponto de ser uma simples forma de exibicionismo. Inúmeras fotos e vídeos são feitos durante nossos espetáculos de teatro e teatro musical que, na realidade, não dizem nada sobre eles, dizem apenas "vejam onde eu estou." 

Acho que a ideia é que as pessoas pensem "nossa, que legal". Eu particularmente penso:

"Peloamordedeus, para de gravar o espetáculo e se preocupa em assisti-lo."

É como aquela pessoa que tweeta "Essa festa tá muito boa!" e a gente pensa "Se tá tão boa, porque você tá no twitter?". Mesma lógica. 

Observação: eu especifiquei "teatro brasileiro", porque a minha experiência com teatro no exterior me apresentou uma coisa chamada lanterninha. Muitos lanterninhas numa casa de espetáculo. Pense em pegar seu celular, e um deles já estará na sua cola. Insista, e as pessoas vão te xingar. 
Por que não lanterninhas, Brasil? Além de resolver isso poderíamos empregar muitas pessoas. Só em São Paulo, existem 164 teatros e 39 centros culturais¹. Se cada um tiver (chutando baixo) cinco lanterninhas, são mais de MIL pessoas que poderíamos empregar. Ou seja, emprego e educação.

Ampliando a situação: Cada vez mais estamos vivendo o mundo através das telas e isso, sinto dizer, não pode ser bom. Apesar de as telas terem muito potencial para serem fonte de informação e facilitadoras de comunicação, elas estão se tornando as únicas fontes de informação e formas de comunicação. A arte sempre foi uma forma do homem se comunicar com o mundo, mas essa comunicação fica prejudicada com uma tela no meio.
Gente, vive.
Vive o mundo.
Respira o mundo, toca no mundo, vê o mundo.

Você vai perceber que ele é muito maior do que você imaginava...

Menos telas... 
Vamos fazer esse esforço?


 ¹fonte: http://www.visitesaopaulo.com/dados-da-cidade.asp