spot·light
ˈspätˌlīt/
A strong beam of light that illuminates only a small area, used especially to center attention on a stage performer.
(Um forte raio de luz que ilumina apenas uma pequena área, usado especialmente para centrar a atenção em um artista de palco.)
Ou, simplesmente, holofote.
O filme "Spotlight" atualmente nos cinemas combina um ritmo de tensão investigativa com uma temática bastante séria: o abuso sexual de inúmeras crianças por padres da igreja católica. Baseado em uma história real sobre um grupo de jornalistas que decide fazer essa investigação.
Entretanto, o que pega mesmo, o que te deixa mais ligado na história são as questões colocadas em relação à prática do jornalismo. A "Spotlight" quer derrubar um sistema horrível que tem tudo para, na verdade, consumir o jornalismo e torná-lo parte dele. Não é uma tarefa fácil, e a todo momento a moral e a ética desse grupo é contestada e colocada à prova.
Se eles vão conseguir? Você vai ter que assistir pra descobrir...
A grande questão é de fato colocar o que importa no "holofote". O objetivo da Spotlight era colocar essa discussão dos abusos no foco. Já o filme coloca o jornalismo no seu holofote. A moral, a ética, o papel do jornalismo, sua importância, sua subversão, seus deveres, e até suas mudanças, pois o filme também coloca a questão da era digital e de como o jornalismo reage a isso.
Atualmente a internet nos possibilita acesso a muitas informações, e a grande maioria delas não é apurada, o que faz com que uma investigação jornalística como essa do filme pareça uma coisa bem distante da realidade que vivemos. Tudo tem que ser falado, postado e comentado na hora que acontece... e depois de algumas horas (dias, na melhor das hipóteses) já era. Todo mundo já esqueceu.
Esse cenário faz do jornalismo uma coisa tão homogênea que já não parece possível um "holofote", um spotlight que faça com que o mundo se vire pra alguma coisa e faça algo a respeito, mude algo de fato. Parece que tudo tem a mesma importância, e acaba não tendo importância nenhuma. Qualquer informação é legitimada e, pior, qualquer opinião é legitimada na internet, então vira um milhão de pessoas falando qualquer coisa sem uma fundamentação adequada.
Pra não dizer que não falei das flores, acho que o atentado de Paris teve seu holofote, que por sua vez foi bem próximo do holofote do desastre ambiental em Mariana. Entretanto, apesar da comoção (também importante para mover as pessoas), os textos que li pouco falavam do que importava. Muito provavelmente as pessoas leram uma manchete ou duas e já saíram falando, sem ler nada a respeito, sem fundamento, sem discussões importantes.
Vamos falar da importância de um bom jornalismo.
Vamos falar dos spotlights que não estão sendo feitos.

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