Como se já não tivéssemos de enfrentar problemas de incentivo e valorização, atualmente também enfrentamos desrespeito. A mensagem "por favor, desliguem seus celulares" é cada vez mais ignorada pelo público. Como atores, nós nos sentimos desrespeitados ao identificar (não é difícil) indivíduos com a luz de seus celulares no rosto. E como plateia, nós também somos desrespeitados pelos mesmos sujeitos.
Identificamos um "vilão": o snapchat, que inclusive ultrapassa a questão do respeito e atinge o ponto de ser uma simples forma de exibicionismo. Inúmeras fotos e vídeos são feitos durante nossos espetáculos de teatro e teatro musical que, na realidade, não dizem nada sobre eles, dizem apenas "vejam onde eu estou."
Acho que a ideia é que as pessoas pensem "nossa, que legal". Eu particularmente penso:
"Peloamordedeus, para de gravar o espetáculo e se preocupa em assisti-lo."
É como aquela pessoa que tweeta "Essa festa tá muito boa!" e a gente pensa "Se tá tão boa, porque você tá no twitter?". Mesma lógica.
Observação: eu especifiquei "teatro brasileiro", porque a minha experiência com teatro no exterior me apresentou uma coisa chamada lanterninha. Muitos lanterninhas numa casa de espetáculo. Pense em pegar seu celular, e um deles já estará na sua cola. Insista, e as pessoas vão te xingar.
Por que não lanterninhas, Brasil? Além de resolver isso poderíamos empregar muitas pessoas. Só em São Paulo, existem 164 teatros e 39 centros culturais¹. Se cada um tiver (chutando baixo) cinco lanterninhas, são mais de MIL pessoas que poderíamos empregar. Ou seja, emprego e educação.
Ampliando a situação: Cada vez mais estamos vivendo o mundo através das telas e isso, sinto dizer, não pode ser bom. Apesar de as telas terem muito potencial para serem fonte de informação e facilitadoras de comunicação, elas estão se tornando as únicas fontes de informação e formas de comunicação. A arte sempre foi uma forma do homem se comunicar com o mundo, mas essa comunicação fica prejudicada com uma tela no meio.
Gente, vive.
Vive o mundo.
Respira o mundo, toca no mundo, vê o mundo.
Você vai perceber que ele é muito maior do que você imaginava...
Menos telas...
Vamos fazer esse esforço?
¹fonte: http://www.visitesaopaulo.com/dados-da-cidade.asp

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