WICKED
The untold story of the witches of Oz
(A história não contada das bruxas de Oz)
Ouvi muita gente usando o "blockbuster da Broadway" como algo negativo, além das pedradas que já estamos acostumados quando se trata do gênero musical, principalmente esses de grande porte. Os metidos a "cult", que eu também gosto de chamar de alterna-trouxas, adoram dizer que não é arte, que é puro entretenimento.
A questão é, esse musical, que tem tanta visibilidade no mundo inteiro, tem duas mulheres como protagonistas e ainda coloca em cheque o binarismo de bem e mal, certo e errado. Isso só me faz crer que o Brasil ainda não consegue reconhecer a importância dessas coisas.
Resumindo o rolê:
O Mágico de Oz, como vocês bem devem se lembrar, constrói muito bem a personagem da Glinda, A Bruxa Boa do Norte, e da Elphaba, A Bruxa Má do Oeste. A primeira está lá para ajudar Dorothy, enquanto a segunda tenta atrapalhar. Um maniqueísmo muito claro, e muito comum em histórias infantis.
E eis que me surge um ser humano chamado Gregory Maguire e escreve Wicked: The Life and Times of the Wicked Witch of the West (A Vida e os Tempos da Bruxa Má do Oeste).
É o que chamamos de spin-off¹.
Não quero dar spoilers, mas a imagem abaixo já mostra um mínimo do que a história sugere...
E gente... É MUITO BOM.
Além de tudo isso, a história vai permeando a história d'O Mágico de Oz de uma forma muito criativa. O musical é surpreendente, as personagens são engraçadas, as músicas são muito boas. E sim, é uma mega produção de cenário, figurino, maquiagem, tudo que tem direito! E tá tudo bem.
Não tem nada melhor do que a arte contestar esses binarismos de bem-mal, homem-mulher, certo-errado... e é de extrema maestria quando faz isso e ainda se torna algo tão grande quanto Wicked, afinal, é aí que você começa a fazer alguma diferença. Estava falando algo parecido sobre o novo Star Wars outro dia².
Sendo estudante de Comunicação, eu vejo que um dos maiores desafios para nós, produtores de conteúdo, é falar de coisas importantes de uma forma que as pessoas queiram ver/assistir/ler, etc. Não é fácil. Principalmente no Brasil, a maioria dos filmes, por exemplo, ficam entre o super-cult-que-ninguém-conhece e o entretenimento-puro-que-dá-dinheiro-e-não-fala-de-nada-importante.
Então, gente. Para de preconceito com musicais, com megaproduções, com entretenimento de forma geral, e vai ver Wicked. Eu vi na Broadway, e estive na coletiva de imprensa ao lado do compositor Stephen Schwartz, que disse estar muito orgulhoso do elenco e da produção brasileira. Ou seja, um trabalho de qualidade e que passa uma mensagem muito importante. Além de, como já falei, as duas protagonistas serem mulheres. Wicked passa no teste de Bechdel sem dúvida!
Outro ponto importante: os ingressos estão entre R$50,00 e R$280,00. Os melhores lugares da plateia costumam ser caros mesmo, muitas pessoas reclamam disso. O negócio é ficar atento às sessões populares, os ingressos são vendidos por preços bem mais acessíveis e não é difícil de conseguir.
Estreia dia 04 de Março no Teatro Renault! Estrelando Myra Ruyz e Fabi Bang!
¹ significado de spin-off
² releia "Vamos falar de Star Wars"

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